Monday, May 19, 2008

Soneto XI

Quero apenas, nestes versos dizer:
como te amo, muito além do astro prateado
silente, esquecido por anos, e amainado
sobre o peito que cintila todo o ser.

Como te amo pelo pescoço arqueado
pela brisa macia que faz aparecer
o riso mais belo do que o entardecer
prenúncio da noite de um pobre apaixonado.

Procuro numa busca louca e serena
uma razão para algum amor esvanecer.
Não, te escrevo em versos: como te amo!

Amo, sem a ciência das coisas; clamo
àquela que me traz a voz suave e plena
que celebra o amor no retorno do amanhecer.

Friday, April 18, 2008

Olhos transpassáveis

Seus olhos, como duas flores vermelhas
Emergem telúricos, da inóspita terra.
Como a vida renasce destes olhos safira.
Como há chama neste olhar penetrante.
Seus olhos me chamam; estes olhos
Que nada escondem, olhos que avisam
O tempo de permanecer o infinito instante
Da alegria.

Como são profundas as íris que descrevem
As infindas ondas suspensas dos teus olhos.
E vê-la é como o nimbo plácido e fugaz
A carregar a mensagem dos sonhos..
Seus olhos, como o manancial do rio
Que delibera a vida, que fornece o mais nobre
Dos encantos, lavam os meus olhos
De maneira pura, abarcados por dois meandros
Negros todavia acolhedores.

Seus olhos, a mais bela expressão da arte
Pincela todas as cores da aurora. Em encantamento
Seus olhos me tomam inerte à espera da alusão
De uma realidade preenchida por estrelas
E crepúsculos; vida e declínio.
Como são lindos os olhos que a mulher da foto
Não oculta, pois traduz a primavera tão cheia
De cor; de aquiescência; de tanquilidade...
São olhos amainados pela certa decisão
De uma vida presente em completude,
Pela expressiva convicção da conservação,
E pelas realizações em anseio do que fora
Uma vida em afeto resumida em nada, nada, nada.
Seus olhos a completa,confluindo todo
O brilho cintilante de astros resignados
Todos os cantos sóbrios e contundentes
Os olhos humanos, todos, por respeito e cumplicidade.
Esses lindos olhos agora também são olhos meus
Pois, irradiam-me, como a flor nascida no asfalto,
Na ventura de possuí-los em piedosa contemplação
Desses olhos que só a mulher da foto tem.

Sunday, March 09, 2008

Amar se aprende sofrendo

Como é lindo o amor dos amantes da praia
Nele repousa todos os acontecimentos
Nele a confluência se torna cada vez mais pelo beijo
Ato sublime de resignação frente aos olhos do mundo.
Como se amam os amantes na areia
Inquietos pela longa espera do momento
Afoitos pela efêmera chegada do abraço e juras de amor.
E se amam trocando miúdas confidências,
Abençoando cada suspiro como se fosse a plena
constituição do amor .
Como é soberano o enlace que comungam os amantes,
Solitários consumidos a cada instante de paixão
A cada instante de renúncia, a cada gesto de depuração.
Mas se renovam para dar continuidade sob
Lindas e macias palavras líricas na noite,
Para contemplar a vereda alumiada que
O vasto e secreto mar carrega e jamais oculta.
Para perscrutar o infinito de cada instante
E se perguntarem, mutuamente, por quanto tempo
De amor pode durar uma vida.
Como é sincero o jeito que ele trata ela
Ao simples e puro toque de seus cabelos
Que transportam cheiros dos mais agradáveis;
Toque de seu rosto o qual pela arte se constitui
Na mais perfeita elaboração de todas as artes.
Como é inefável a ocasião por onde os olhos
Se encontram e ali como se várias luzes se intercruzassem
E gerassem a mais energética das verdades.
Pelo olhar, pelo mundo, pelo amor de dois amantes
Uma união solidificada por entre jangadas quedadas
Transeuntes apressados, edifícios indiscretos,
Um coração que bate, dois corações fiéis,
Toda devoção é digna, porém toda devoção de amor
É simbolismo universal, é tempo que exprime a
Finitude das coisas tristes, é insígnia carregada
No peito ou na consciência do prazer de se ter a coisa amada.
Como é louvável a forma de amar destes dois
Únicos e indecifráveis amantes, não por serem únicos
Muito menos indecifráveis e sim pela espera intrínseca
E áspera da minha hora e vez de amar de tal maneira...
Pois sou poeta e todos vivem para ter a complacência do amor
Como é lúbrico o amor dos jovens da praia
Que nada interrompa este acontecimento de afeto
E trocas de carícias por onde até a lua vem cumprimentar
Fornecendo sob pingos de poesia o encanto incomparável
Da contemplação. Não acabem, amantes da praia
Não acabem pois saibam que diante desta mágica
Indissolúvel que vocês possuem de amar
Renascerá, na esperança do poeta, o que um dia se perdeu...

Saturday, March 08, 2008

Mulheres

Neste dia que consagra beleza extrema
com só coração exalto diversidade tanta.
Há sorriso ermo, há uma voz que canta
A homenagem honesta neste único poema.

Há mulheres que trazem feito só emblema
A imensidão do amor em plenitude santa.
Outras vezes há aquelas cujo corpo encanta
Ébrios dissidentes cuja vida pura é dilema.

A fidelidade pelos olhos se faz determinante
De modo onírico e doce. De leve emoção
pelo desejo canto tanto toda forma de ser

Desta modelada mulher que se chama perfeição.
Mas de tantas, só há uma para amar e viver
Um amor concebido para todo o instante.

Wednesday, December 12, 2007

Duas estações e uma sonata

Pelo poema, talvez um acorde, uma harmonia
Em comportamento que se identifica suave e animador,
Onde transpiras bálsamo inebriante que extasia
Manifesta-te em sentimento lírico de trovador

Consagra-te no tempo em tuas múltiplas instâncias,
É hora de sonho: em si mesmo reside, não reclames!
É hora de ser: crescer para simplesmente na ânsia
Dispersar sobre a fantasia de ser incontestável anne.

Não é mais tempo de perder, apenas olvidar
O que antes fora sombra perdida em lembrança.
Não é mais tempo de sofrer agora é tempo de amar
O amor - melodia o qual define inseparável aliança

De alguns poucos, visto que tê-la é mais constatação
Incomparável, firmada na sustentação do sensível
E permanecida nos longos sinais de uma emoção,
Visto que emoção é como pétalas no cair inesquecível

Do recanto da primavera. Eu, em verso canto
No âmbito irônico que sem cerimônia habitas
Na sutileza da infância, na surpresa do espanto
No riso que anuncia a "brincadeira" irrestrita.

Brincadeira que define o sopro íntimo da amizade
Celebrada amizade cuja escolha se faz presente,
Imemorial, que insula o questionamento da verdade
Que sobrevive no encontro sublime de palavras inconfidentes...

E assim amizade, só é amizade quando alimenta
Incondicional, outra amizade formada e outras mais
Providas de sol, prados orvalhados, incessante que tenta
E consegue florescer cem lírios no caminho em paz...

Então, em paz, quando se formar a aurora do dia
De beleza tanta como uma sonata de alegria e de inverno
Lembra-te: és esgalga menina de leveza vazia
ÉS um canto de vida, és Anne com seu riso eterno

Saturday, December 08, 2007

Soneto da criação

Sem notar, a criação se estendeu
em corpo doce e forma esculpida
qual estátua divinal esquecida
muito além do beijo que feneceu

além de vida nos olhos, sol há
além do sol há mel em minério
quantos segredos, quantos mistérios
nesses olhos prestes a me doar.

Moça açucena, de amor desmedido
que quando ama morde e aperta
em face do maior entusiasmo e energia.

Que quando dá risada me contagia
e riu; mesmo após choro comedido
a cada encontro de amor que me desperta.

Sunday, October 14, 2007

Algumas facetas do amor

Quando se encontram para nunca mais se perderem
um abraço celebra, um beijo mensura, um rio a dor carrega
um se chama Marcelo a outra se apresenta Marie
dois amores em um único estado: momento único.

Este poema que não escrevo sob o peso da renúncia:
que sente as glórias vividas pela memória de uma semana
que transporta sob pingos transparentes de palavras
e que fornece o amor se perpetuando em gérberas e paixão.

Ó Marie, minha amada, estes versos intocáveis, mas que penetram
com calma sua alma e a faz leve, posto que inerte não
consiga escrever uma expressão de amor para o poeta,
eu dedico, mais do que essa, à tua forma em orvalho.

Como és linda quando surge o prematuro sol
resguardando a linha do rosto, querendo apenas o toque,
levantando com sua simples beleza a última árida flor
do jardim esquecido daquele velho tempo catártico

Como te quero, nada mais além do que desejo
e me emocionar com o som doce que ressoa de tua boca
e esperar que todos os momentos se estabeleçam
e possam transformar, nesta primavera, mil rosas amortalhadas
em outras mil em tonalidade de rosa e apreciação de amor

Logo que o último feixe de luz fenecer da triste lua
não me deixes mergulhado entre espumas enegrecidas,
(entre)paredes embranquecidas pela longa espera de uma declaração
entre espaços que limitam a nudez do relevo bem feito;
apenas me conduzas por entre bosques e vilas, sobre ponte solitária,
pelo fogo da ilha em erupção e pelo frio do Ártico intransigente

Sejas de meu vento a companheira de que eu sempre precisei
Da minha terra o alicerce pelo qual eu me sustento
Do oceano em que me banho o expurgo dos defeitos sem hora.
E sejas mais do que preciso: ser-amor; um ser, um amor

Nesta noite, junto a ti, brilham estrelas nos teus olhos
No céu, decalco duas nuvens que se dissipam na imaginação
Nesta noite, junto a ti, me esqueço da contingência do mundo
Porquanto eu sei qual é a verdadeira certeza da vida:
O amor que por ti devoto, o amor que compartilhas comigo
Sem receio, sem medida, sob medida. Porque te amo,
Além das 7 cores que emanam dos teus cabelos, do pálido veludo
Que te cobre, do sorriso inebriante que moldura tua face, do jeitinho
Que flutuas ao caminhar, pelas frases que escreves no instante de descontração.

Contudo, não te amo e mesmo não te amando continuo a me enganar
Porque te amo todos os amores na convergência de um e canto
Em breves suspiros a um coração tão escasso de espanto
A indagação de um pobre amador se faz presente: tu me ensinas amar?